A ESCOLA DOMINICAL E A QUESTÃO DA MOEDA
Todas as igrejas estão conscientes que uma das maiores ferramentas que os seus membros possuem, é a tão conhecida escola bíblica dominical (E.B.D). Nela temos a oportunidade de questionar o que não entendemos; podemos expressar nossas opiniões, aprender tudo aquilo que o tempo nos der a condição a fim de estarmos perfeitamente habilitados para toda obra.
Ouvimos até dizer que a E.B.D é a melhor escola do mundo, inclusive, eu mesmo já o disse algumas vezes, pois reconheço o que ela fez e está fazendo em mim, como na vida de tantas pessoas.
No entanto, fica uma pergunta no ar: Por que a E.B.D é tão valiosa e as ofertas que normalmente são recolhidas nela são tão precárias? Por que a E.B.D é de valor vital na vida da igreja e a contribuição quase mata os presidentes desse departamento, juntamente com a diretoria e os pastores do coração?
Creio que há algumas razões para isso:
1º - Pela falta de conhecimento do assunto por parte da Escola. Raríssimas igrejas têm coragem de investir de um a três meses o assunto de finanças dentro do seu cronograma anual. Em conseqüência disso, “a escola bíblica perece”, confirmando a Palavra viva de Deus: ‘O meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento’ (Os. 4.6).
Um dos maiores problemas na igreja evangélica, e que não é de hoje, é a questão das ofertas. Os alunos antigos receberam um ‘discipulado’ que a oferta da escola bíblica pode ser aquelas moedinhas que sobram do pão ou da feira que você faz, com isso os novos na fé, vendo ‘a bela cena da contribuição dos antigos’, começam a praticar, afinal, criança faz o que vê e o que ensinam para ela.
Anualmente, na igreja que pastoreio, peço ao presidente da escola bíblica que inclua na sua agenda um bimestre sobre o cristão e as finanças. Recordo-me muito bem que a nossa Escola ia muito mal das pernas no tocante as ofertas. As reclamações eram as maiores possíveis. Temos uma programação a cumprir e não podemos, pois as ofertas são pequenas demais.
Reuni a direção da igreja e sugeri que a E.B.D estudasse sobre finanças durante dois meses. Um líder disse, ‘acho a idéia boa, porém, acredito que a escola esvaziará’. No momento, repreendi aquela palavra e disse, ‘presidente, tenha a minha benção e pode liberar este tema para os próximos meses’.
Assumi a direção do púlpito antes da E.B.D comunicando que estudaríamos em todas as classes o assunto ‘finanças’. A partir daquele momento, eu iria conhecer os alunos. Com certeza, saberia de algumas verdades:
- Quem se ausentasse integralmente da escola durante o período dos estudos sobre finanças, revelaria a falta de conversão, avareza e a falta de amor para com a casa de Deus;
- Quem permanecesse diante da temática durante aquele período, se não ofertava por falta de conhecimento, certamente passaria a fazê-lo; pois assim diz a Bíblia, ‘a fé vem pelo ouvir, e ouvir a palavra de Deus’ (Rm. 10.17).
- Quem permanecesse e continuasse indiferente ante as necessidades da E.B.D, tanto eu, quanto a direção da escola, estariam conscientes de que jamais faríamos qualquer plano envolvendo tais alunos da escola.
Qual foi o resultado do ensino mesmo lutando contra alguns líderes da E.B.D? A escola dominical caiu, sim, na sua freqüência em 30 a 50 % durante o período; tais alunos só voltaram depois do fim do tema ‘assustador do dinheiro sagrado’. A escola dominical e a igreja cresceram 100% financeiramente durante os 10 meses que se seguiram aquele ano; um mês, 20%, outro mês, 30% até chegarmos a 100%.
Se nossos filhos vão para as escolas e lá eles aprendem a ler escrever e tornam-se ilustres na sociedade, por que os cristãos, que têm o Espírito Santo por excelência, não vão ofertar voluntariamente e com alegria para a melhor escola do mundo?
2º - Por não saberem que ‘uma coisa é uma coisa e que outra coisa é outra coisa’.
Muitos alunos da E.B.D não sabem a diferença entre o significado da oferta, cota, esmola e uma ajudazinha que se faz esporadicamente. Para eles tudo é a mesma coisa! Deus não precisa de uma ‘ajudazinha e nem uma mãozinha de ninguém’; tudo é dele, assim diz a Sua Palavra (Sl. 24).
A E.B.D não é clube para receber cota de quem quer que seja; afinal, oferecemos a Deus uma cota, porque somos beneficiados e assim barganhamos com Ele? Igreja é casa do Deus vivo e não clube composto de sócios que só cotizam porque têm benefícios. O dono da escola bíblica, o Mestre por excelência, que nos ensina todas as coisas, o Espírito Santo de Deus, não é mendigo para receber esmola de ninguém. O dinheiro todo deste mundo, e todos os tesouros da terra, não pertencem ao Banco Central, e nem ao Walll Strett e nem aos bancos suíços, o dinheiro pertence a Deus (Ag. 2.8).
Se você gosta de esmola – que fique então com elas para você! Sinto, mas preciso ser franco mas, infelizmente, as chamadas ofertas da E.B.D mais parece esmolas do que qualquer outra coisa; e assim, intitulamos ao Espírito Santo, que vai nos ensinar na E.B.D como o ‘professor mendigo’, afinal, quem pede e as vezes recebe uma ridícula esmola? É cruel!
Urge que ensinemos na E.B.D que a oferta é um ato de gratidão, respeito e de adoração ao Eterno, onde temos a rara e bela oportunidade de investir em um departamento da igreja que comprará material de qualidade para os nossos filhos, para a nossa família e para todos os visitantes que chegarem à E.B.D.
Ivonildo Teixeira é casado com Mônica Teixeira com quem possui duas preciosas filhas, Samanta e Talita. Natural de Montes Claros, Minas Gerais. Reside na cidade de Vila Velha, Espírito Santo, onde foi condecorado com o título de cidadão vilavelhense no ano de 2001. Escreveu vários livros com excelente aceitação no mercado. Vários livros já se destacam como campeões de vendas! Atualmente, possui 32 livros publicados.