Pr. Ivonildo Teixeira
Revista PALAVRA
Falar de finanças na igreja ainda é considerado um tabu por alguns líderes evangélicos, mas para o escritor e preletor Ivonildo Teixeira o tema, mesmo sendo polêmico, é de extrema importância para igreja.
Teólogo e autor de 30 obras literárias na área de finanças, publicadas por editoras variadas, Ivonildo considera a administração financeira bíblica como um tema apaixonante. Seus primeiros sete livros foram escritos à mão, até ser desafiado e estimulado por um amigo a ser mais prático e mais moderno. Os livros "Chega Mendigo Jamais", e "Vivendo na dimensão das águias", foram considerada best-sellers nos anos de 1997 à 2000, tendo uma enorme procura por parte dos leitores.
Duas obras, foram traduzidas, "Chega, Mendigo Jamais" para o Espanhol e o Italiano, e "Vivendo na dimensâo das águias", para o Italiano.
Ivonildo Teixeira também é preletor nacional e internacional na área de administração financeira. Já ministrou mais de 525 seminário de finanças em diversas denominações diferentes em 4 continentes e mais de 150 mil pessoas participaram de suas palestras.
Nesta entrevista exclusiva para a revista Palavra, Ivonildo fala sobre dízimos e ofertas, alerta sobre a importância do conhecimento de tais questões por parte da igreja e de líderes religiosos e aborda a polêmica Teologia da Prosperidade.
PALAVRA – Qual a causa de se ministrar seminários ao invés de somente publicar livros? Como tem sido os seminários sobre finanças nos Estados Unidos?
Ivonildo Teixeira – A razão pela qual Deus me levantou pra ministrar estes seminários é devido a enorme carência da igreja em aprender sobre o assunto de finanças. Existem muitas dúvidas a respeito do assunto e nos seminários a questão pode ser melhor explanada. O seminário traz a seriedade do assunto sob uma perspectiva bíblica e muitas vezes aborda a questão do dinheiro dentro das quatro paredes da igreja, devido ao fato de alguns pastores não se sentirem chamados para falar do assunto ou por não quererem levantar a questão para que não se pense que estão legislando em causa própria. Procuro também, além de abordar o tema nos seminários, ensinar os líderes a repassar o que aprenderam.
PALAVRA – Qual é a maior dificuldade encontrada pelos líderes e pastores cristãos para abordarem a questão financeira em suas igrejas?
Ivonildo Teixeira – A maior dificuldade tem sido o medo e depois a falta de preparo para abordarem sobre o tema. Muitos estão preocupados sobre o que as pessoas poderão pensar a respeito deles, pois são pagos pela igreja e, ao tratar sobre finanças na igreja poderiam ser vistos como líderes que tem interesse de aumentar sua renda no ministério. No caso de pastores bivocacionais, ou que não recebem da igreja, muitos já têm uma boa renda e ignoram a importância do assunto em suas congregações.
PALAVRA – Dentro da questão de finanças, qual é a questão mais polêmica já abordada em seus livros e seminários?
Ivonildo Teixeira – Todos querem saber sobre o dízimo. Alguns acham que o ato de dizimar foi uma prática do Velho Testamento, outros acham que o dízimo é um imposto. Existem aqueles que pensam que o dízimo só deve ser correspondente a alguns ganhos, como o salário. E também aquelas pessoas que não sabem dizimar corretamente, e estipulam um valor a ser dado mensalmente e não a décima parte de seus ganhos.
Já vi casos de empresários dizerem que não dão o dízimo de suas empresas porque a empresa não é cristã, somente ele. Atualmente, no mundo, somente 30% no meio evangélico, conseguem ser dizimistas. Agora, fidelidade com o dízimo de Janeiro a Dezembro, o índice cai ainda mais. Segundo recente pesquisa, o número de dizimistas caiu nos Estados Unidos e aqueles que permanecem dizimando acreditam que só assim poderão ser prósperos e esquecem-se da importância da oferta.
PALAVRA – Então, além de dízimo e administração financeira, em seus seminários o senhor também fala sobre oferta?
Ivonildo Teixeira – Este é um tema que considero muito escondido dentro da igreja. De um modo geral, as pessoas não compreendem sobre o que é a oferta. Em meu livro “A maior oferta de todos os tempos” esclareço esta questão explicando sobre as treze diferentes formas de ofertas apresentados na Bíblia. A maior delas é a descrita no versículo de João 3:16, que é Jesus, o Filho de Deus. O dízimo é uma obrigação que deve ser vista de forma prazerosa. Vemos na Bíblia no livro de Malaquias, que a questão é apresentada no imperativo. Um exemplo disso pode ser visto na vida do homem mais rico do mundo de todos os tempos que foi o Rei Salomão. Este rei teve e tem autoridade até hoje para tratar do assunto e, até os empresários afortunados como Warren B. Bill Gates e outros, deveriam curvarem-se a ele. Deus enriqueceu este rei que disse que alma generosa prosperará. Sempre ensino que a oferta é uma demonstração de gratidão a Deus.
PALAVRA – Em seus livros e seminários, o senhor trata sobre prosperidade financeira. Qual é diferença de seus ensinamentos para os ensinos da Teologia da Prosperidade?
Ivonildo Teixeira – Acredito que há uma grande diferença entre esta Teologia da Prosperidade muito falada e difundida e a teologia da prosperidade bíblica. Aquela que traz líderes falando de promessas de fortuna, com temas não ensinados na Palavra de Deus. A Bíblia nunca diz que todos serão ricos. A Bíblia nunca diz que o dizimista terá uma casa de frente para o mar, ou este ou aquele carro zero ou determinado salário. O que a Bíblia nos ensina é que devemos ser fiéis porque Deus é fiel, e que devemos ser generosos porque Ele deu o que tinha de melhor, seu filho Jesus. Esta Teologia da Prosperidade anti-bíblica, eu a apelidei de “a teologia da magia”, e que será tema de um próximo livro. Uma boa ilustração desta questão é a vida de Jó, descrita nas Escrituras Sagradas. Nela é possível ver uma das maiores descrições de santidade feita pelo próprio Deus. Ele diz que Jó era um homem justo, íntegro, reto e se desviava do mal, e mesmo assim permitiu que fidelidade de Jó fosse posta à prova.
PALAVRA – Em se tratanto de dízimo e ofertas, o senhor tem visto muita “troca com Deus”, ou seja, líderes que entregam tudo a Deus com a intenção de receberem algo específico de volta?
Ivonildo Teixeira – Já ouvi uma pessoa dizer que dá dízimo porque tem retorno, eu disse a ele: “Então pare! Não dê mais o dízimo”. Digo para estas pessoas para tomarem muito cuidado, porque esta motivação está errada, pois a Bíblia nos ensina que quando eu obedeço eu sou abençoado e o ato de obedecer não deve ser visto como uma negociata com o próprio Pai. Vale lembrar do que disse o profeta Habacuque, “ainda que a figueira não floresça, que não haja fruto na vide e ainda que não haja animais no curral, todavia eu me alegro no Senhor”. Em outras palavras, não devemos servir a Deus pelo que Ele nos dá, mas pelo que Ele é!
PALAVRA – Como o senhor define a palavra prosperidade?
Ivonildo Teixeira – De duas formas, primeiramente é "a graça de não conhecer a miséria". A outra definição, eu deixo por conta do original hebráico que diz que prosperidade "é estar de bem consigo mesmo". Conheço pessoas que vivem uma vida humilde e dizem que em paz se deitam e logo pegam no sono, como ensina a Bíblia. Rockfeller disse que teve milhões de dólares mas não era feliz.
PALAVRA – Como o senhor responde às questões levantadas em seus seminários sobre o suposto enriquecimento ilícito da Igreja Apostólica Renascer em Cristo?
Ivonildo Teixeira – Diante das notícias e acusações eu vejo tudo com muita tristeza. Eu já chorei pelo casal Apóstolo Estevam e Bispa Sônia Hernandes, que inegávelmente são líderes de destaque no Brasil, especialmente pela grande dinâmica que utilizam para atrair jovens. Infelizmente, vejo que eles caíram num poço profundo, mas como não os conheço não posso me manisfestar contrário a eles, contudo creio que a verdade virá a tona. O nosso papel como cristãos é orarmos por eles.
PALAVRA – Na questão financeira qual o recado que o senhor deixa para os brasileiros e pastores que vivem nos EUA?
Ivonildo Teixeira – Invistam financeiramente na nação onde vocês estão. Sejam fiéis em tudo, não excedam na carga horária de trabalho e não se esqueçam dAquele que nos abençoa em tudo. Enviem ofertas de gratidão para a nação que gerou você. Seja dizimista onde você alimentado e pastoriado espiritualmente. Seja em que país onde esteja morando, mesmo tendo uma membresia no papel, e tendo possibilidades de voltar para sua nação, isto chama-se justiça! O brasileiro que sai do Brasil e que tem o desejo de ter uma vida melhor, sem ser levado pela ganância é grandemente abençoado por Deus. Para os pastores eu diria que fujam da aparência do mal e tomem cuidado com aquilo que pertence à Deus e à sua Igreja. Digo sempre que o pastor deve ficar “anos luz” de distância do dinheiro da igreja, mas que busquem conhecimento na área de finanças e aprendam sobre como abordar o tema em suas igrejas, para que sejam facilmente compreendidos por suas congregações.