PROSPERIDADE NA BÍBLIA
SHOW DA FÉ - Economia
Nas escrituras, o próspero não é o rico, mas aquele que depende de Deus para suprir as suas necessidades.
Carros luxuosos, uma casa pra lá de confortável e mais dinheiro que o necessário indica prosperidade, certo? Errado! Pelo menos, do ponto de vista bíblico. De acordo com evangélicos especialistas em finanças pessoais, o conceito de prosperidade nas Escrituras não tem a ver, necessariamente, com a quantidade de dinheiro ou de bens que alguém possua, mas com a dependência de Deus para o suprimento de casa necessidade. “Prosperidade é a graça de não conhecermos a miséria”, define o pastor, escritor e conferencista Ivonildo Teixeira, da Igreja do Nazareno na Praia de Itapoá, em Vila Velha (ES).

Com diversos livros publicados na área econômica – o mais recente é Mexeram no meu dinheiro -, ele defende que o princípio de ser bem-sucedido, para o cristão, reside na fé. “Prosperidade é ter Jesus Cristo como Salvador, Senhor e supremo Pastor, sabendo que coisa alguma faltará. É saber que, como filho de Deus, aconteça o que acontecer, venha o que vier jamais o justo ou sua descendência mendigará o pão, como disse Davi no Salmo 37.25”, resume o pastor, que, recentemente, fez uma conferência sobre finanças na Igreja Internacional da Graça de Deus em Pompano Beach, Flórida (EUA).
Em abundância – O Pr. Wilson de Souza, membro da Igreja Viva, na Taquara, zona norte do Rio de Janeiro, faz coro com o colega. “Deus não quer que seu povo passe por necessidades”, diz, utilizando o texto de João 10.10b (Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância) para reforçar sua tese. “Vida em abundância significa com fartura, ou seja, cheia do Espírito Santo, do amor de Deus, de saúde, paz, alegria e tendo cada uma de nossas necessidades supridas pelo Senhor”, destaca.
Conferencista e autor do livro Quando o dinheiro é uma bênção, Wilson de Souza defende ainda que a prosperidade, nesse sentido, é um desejo do Senhor para cada um de Seus filhos. “No Salmo 35.27, está escrito que Deus se alegra com a prosperidade do seu servo. O que Ele não quer é que ponhamos o nosso coração, a nossa confiança, nas riquezas, nem que façamos dos bens materiais o nosso tesouro”, adverte, citando Mateus 6.24: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas (ARA). “O Espírito Santo tem ciúmes de nós quando não colocamos o coração totalmente em Jesus”, explica.
Seguindo essa linha de raciocínio, o conferencista costuma dizer que, para viver a prosperidade bíblica, também é necessário sujeitar-se aos mandamentos do Senhor. “O Espírito Santo nos fala, em Deuteronômio 28, nos primeiros 14 versículos, sobre as bênçãos decorrentes da obediência: O SENHOR te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva á tua terra no seu tempo e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado (v.12). Em 1 Samuel 2.30, o Senhor diz: Aos que me honram honrarei, e, em Lucas 6.38, está escrito: Dai, e ser-vos-á dado; boa medida. Ele é fiel”, conclui.
Contabilidade de Deus – Na opinião de Ramiro Fraga, que ministra palestras na área financeira e cursa o sexto período de Economia no Centro Universitário de São João da Boa Vista (SP), a boa administração do dinheiro e o planejamento financeiro são essenciais para a prosperidade do cristão. “É necessário procurar orientação antes de assinar um contrato de financiamento, por exemplo, pois em alguns casos se paga três vezes o valor real do bem devido aos juros. Além disso, é preciso ter cuidado com a utilização do cheque especial e do cartão de crédito. Não sou contra esses benefícios, mas é bom que se tenha precaução, para que a renda não seja consumida com juros, e a família possa planejar o seu futuro com a direção de Deus”, recomenda o estudante, o qual também condena o consumismo desenfreado.
“Isaías 55.2 diz: Porque gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Temos de valorizar nossa renda. Se gastarmos tudo o que ganhamos, sem controle, é prova de que não aceitamos a contabilidade de Deus”, teoriza Ramiro.
O escritor Paulo de Tarso, que também faz conferências sobre finanças pessoais, concorda com Fraga. “Por causa do egocentrismo, as pessoas procuram satisfação imediata, e o consumo de bens, de certa forma, atende a essa necessidade. A competição também afeta o consumo, pois sempre há o interesse de estar em melhor situação financeira que o vizinho”, exemplifica Paulo de Tarso, autor do livro Sabedoria financeira e idealizador do portal Finanças para a Vida.
Para Tarso, as posses, em si mesmas, devem cumprir um papel secundário na vida das pessoas. “Eu chamaria de “papel de apoio” no propósito maior de Deus. Algumas pessoas podem necessitar de grandes recursos para atingir esse propósito, outras não”, analisa o escritor, citando alguns personagens bíblicos. “Abraão e Jô, homens de profunda fé, eram ricos. Outros foram pessoas de ida material simples, como Pedro, Paulo e o nosso maior exemplo, Jesus”, destaca o conferencista, lembrando as palavras do Mestre em Lucas 12.15 – ARA: A vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.
Entrevista concedida à Revista “Show da Fé”, por ocasião quando ministrava o seminário de finanças na Igreja da Graça em Pompano Beach, Flórida, Eua.